The Amazon Post

Quando uma pesquisa da empresa Gallup neste verão mostrou que 80 por cento dos norte-americanos têm pouca fé na imprensa, houve uma boa dose de consternação nas redações dos Estados Unidos. Parte disso veio de mim. Estamos acostumados a ser chamados de mentirosos pelos mercenários, seus cúmplices e outros patifes sobre os quais escrevemos. Mas é bastante frustrante ouvir que os leitores também não confiam em nós.

No entanto, enquanto leio algumas das provas apresentadas em um tribunal federal em um caso chamado Chevron Corp vs. Donziger, eu comecei a pensar que aqueles leitores céticos podem ter mais razão do que eles mesmos imaginam. O caso, bem inadvertidamente, expôs alguns segredos muito inquietantes sobre a maneira como se produz a “linguiça jornalística” nos órgãos de elite das classes tagarelas.

Frente a isso, o caso Chevron Corp vs. Donziger tem pouco a ver com o negócio das notícias. Steven Donziger, um colega de classe do presidente Obama na faculdade de Direito, entrou com uma ação judicial de US$27 bilhões contra a Chevron no Equador, há nove anos, devido à poluição causada em locais de perfuração de petróleo.

Em 2011, Donziger ganhou um veredito de US$19 milhões (mais tarde reduzido pela metade por um tribunal de apelação) no Equador contra a companhia petrolífera. No entanto, havia mais do que um pouco de trapaça óbvia no julgamento. (Entre outras coisas, uma câmera de vídeo escondida gravou um juiz equatoriano dizendo que ele já tinha decidido o caso, apesar de as evidências ainda estarem sendo submetidas).

Então, a Chevron entrou com uma ação judicial contra Donziger em Nova York para evitar que os tribunais norte-americanos impusessem a sentença. Com o acúmulo de provas das suas falcatruas legais, o juiz o obrigou, literalmente, a entregar milhares dos seus e-mails. E é aí que o lado obscuro do jornalismo entra em destaque.

Quatro anos após o início da ação judicial, Donziger marcou um gol de relações públicas quando convenceu a revista Vanity Fair a publicar uma longa história sobre o caso. (Departamento de Coincidências Extraordinárias: nesta época, a esposa de Donziger trabalhava no departamento de comunicações corporativas da Condé Nast, a editora da revista).

A Vanity Fair designou um dos seus melhores redatores, o premiado William Langewiesche, para escrever a história. A reportagem que ele produziu foi extremamente complacente com a ação judicial, tanto que o próprio Donziger proclamou o artigo como “o tipo de mudança de paradigma, um avanço que eu acho que vai mudar todo o caso a partir daqui até que termine de uma forma que seja favorável para nós”.

E não é de se estranhar! Os e-mails entre Donziger e Langewiesche no início de 2007, quando a história estava começando a ser preparada, mostra Langewiesche como um simpatizante de Donziger, em uma melhor descrição, ou como seu fantoche, em uma pior.

O repórter pede que Donziger prepare listas com dezenas de perguntas para questionar a Chevron. E ele implora que Donziger lhe ajude a arrumar argumentos para justificar o motivo pelo qual não havia necessidade de que ele fizesse as entrevistas pessoalmente com os funcionários da Chevron, como eles pediram, apesar de ele ter passado dias reunido com Donziger e sua equipe legal.

“Eu quero evitar uma reunião, simplesmente porque eu NÃO tenho tempo. Mas eu não quero deixar claro que eu estou recusando uma reunião”, escreve Langewiesche. “Talvez eu poderia dizer que a minha agenda de viagens é intensa…” Ele não somente envia seus e-mails para a Chevron para que Donziger os aprove (“O que dizer, Steve. Tenho que enviar isso hoje à noite”) como ainda permite que ele os reescreva. “Deixe-me saber se isso funciona”, diz Donziger em uma observação ao retornar um dos e-mails. “Eu fui um pouco agressivo na edição”.

Depois de ler um monte de trocas como essa, eu não fiquei surpreso ao descobrir que Langewiesche enviou para Donziger uma cópia da reportagem da Vanity Fair várias semanas antes da publicação da mesma.

Langewiesche diz que escrever foi “particularmente satisfatório à medida que apoia os seus esforços e você pessoalmente”.

E, caso você esteja se perguntando, a Chevron não chegou a ver a história antes que fosse impressa, nem submeteu listas com as perguntas que queriam que Langewiesche fizesse a Donziger. Nem a Chevron obteve as entrevistas frente-a-frente que pediram. Com exceção de uma única conversa por telefone pouco antes de a história ser publicada, Langewiesche insistiu que toda a sua comunicação fosse via e-mail.

Não foi surpresa que a história de Langewiesche incluísse alguns erros, com destaque à afirmação de que custaria US$6 bilhões para limpar toda a poluição em torno dos locais de perfuração de petróleo na Amazônia.

Essa estimativa veio originalmente de um dos peritos contratados por Donziger. Mas, esse especialista havia desmentido a informação um ano antes do aparecimento da história da Vanity Fair, alertando Donziger em uma carta que a estimativa teve como base suposições equivocadas e que era “uma bomba-relógio que vai voltar para prejudica-lo se alguém tentar verifica-la”.

Esse é o tipo de coisa que você poderia ter lido em uma história imparcial sobre uma ação judicial. Mas, Langewiesche nunca teve qualquer intenção de escrever algo imparcial. Isso não é a minha opinião, é a dele. “Você e eu estamos agora realmente do mesmo lado”, disse ele a Donziger em um dos seus e-mails. “Mas, na verdade, nós ficamos próximos cerca de uma hora depois que eu conheci você”.

Observação: Eu enviei um e-mail para Langewiesche perguntando se esta é a forma como a qual ele aborda todas as suas histórias e se havia alguma explicação de como o seu comportamento constituía um jornalismo justo que eu não estava conseguindo entender. Ele não me respondeu.

O governo do Equador está pagando mais de US$6,4 milhões pelos serviços de duas firmas de relações públicas norte-americanas, uma quantia impressionante no que se refere à práticas lobistas de um governo estrangeiro.

O contrato, que foi revelado em documentos divulgados na noite de quinta-feira pelo Departamento de Justiça, afirma que o governo do Equador está contratando empresas norte-americanas para melhorar a imagem do país e combater “as atividades de organizações multi-nacionais e de corporações no intuito de depreciar a reputação do Equador”.

Os documentos mostram que a firma de relações públicas MCSquared, com sede em Nova York, está trabalhando para o país sul-americano desde o ano passado, e que foi iniciada uma parceria em dezembro com a empresa Fitzgibbon Media – que representa o fundador de Wikileaks, Julian Assange, que recebeu asilo no Equador.

No mês passado, o Washington Free Beacon afirmou que as firmas de relações públicas não haviam notificado o Departamento de Justiça sobre o contrato, o que é uma exigência da Lei de Registro de Agente Estrangeiro (FARA por sua sigla em inglês). A MCSquared financiou a viagem de uma prefeita de uma cidade do estado da Califórnia para visitar a Amazônia em setembro, de acordo com reportagens publicadas na imprensa. Qualquer pessoa ou empresa que realize trabalhos de relações públicas, defesa ou consultoria para um governo estrangeiro, corporação estatal ou negócios internacionais é obrigada a apresentar documentos descrevendo esta atividade. Esses requisitos remontam da época da II Guerra Mundial e tinham como objetivo descobrir se a Alemanha nazista estava tentando influenciar a opinião pública norte-americana.

A lei exige que uma pessoa ou empresa se registre como um representante do agente estrangeiro no prazo de 10 dias da assinatura do contrato.

O governo equatoriano aprovou o pagamento de US$6,4 milhões, em 12 meses, para as firmas em abril de 2013, segundo o contrato, “a fim de realizar estudos e formular estratégias de comunicação, informação, imagem e comunicação publicitária a nível internacional”. No entanto, não está claro quando o contrato realmente começou. A parceria da MCSquared com a Fitzgibbon Media começou em dezembro de 2013, como mostram os documentos.

Nenhuma das firmas respondeu a um pedido de comentário sobre o contrato na quinta-feira.
O trabalho de relações públicas está relacionado a uma longa batalha entre os residentes de uma região da Amazônia chamada Lago Agrio e a gigante petroleira Chevron. Os tribunais equatorianos decidiram que a companhia petrolífera deve bilhões de dólares por não limpar corretamente os locais de perfuração no país, iniciando uma longa batalha legal que agora se estende por vários países.

Os residentes estão tentando – com a ajuda do advogado de Manhattan Steven Donziger – receber a sentença de US$9,5 bilhões em outros lugares do mundo, porque a Chevron quase não possui ativos no Equador.

Um juiz federal em Nova York negou, em março, que o pagamento seja realizado nos Estados Unidos, afirmando que a decisão do Equador foi obitida através de meios corruptos.

A MCSquared emitiu comunicados de imprensa sobre a decisão de Nova York e ajudou a organizar protestos do lado de fora de reuniões da Chevron, segundo mostram os documentos.

O pagamento do Equador pelos serviços de relações públicas é substancial, já que alguns dos contratos mais lucrativos dentro da FARA só chegam aos $2 milhões, embora outros tenham um valor superior.

Mas, o alto preço poderia ser explicado pelo fato de que o trabalho é bastante pesado, incluindo sessões semanais de estratégia entre a “equipe de reputação e crise”, integrada por lobistas, consultores, especialistas diplomáticos e advogados, junto com o governo equatoriano. Além disso, pelo menos uma pessoa irá morar no Equador para lidar com quaisquer necessidades imediatas relacionadas com a crise, de acordo com os documentos da MCSquared.

Ao longo do contrato de um ano, as firmas vão criar mensagens e “pontos de discussão” para autoridades, enquanto realizam pesquisas sobre as percepções dos norte-americanos em relação ao Equador. Finalmente, eles vão usar os dados e as percepções que obtiveram para “elaborar e implementar uma solução para fortalecer a reputação internacional do país, conter a crise, mitigar os riscos identificados de crises futuras e aproveitar as oportunidades que surgem a nível internacional”.

A documentação para o contrato com a Fitzgibbon Media é muito menos detalhada, especificando apenas que a firma irá ajudar na representação.
Meses após a decisão em Nova York favorecendo a Chevron sobre os residentes equatorianos, a MCSquared trouxe alguns dos moradores para que protestassem do lado de fora da reunião anual de acionistas da companhia em Midland, Texas.

Em um comunicado divulgado em maio, a MCSquared alegou que a Chevron-Texaco “usou métodos de produção de petróleo precários e ilegais para economizar dinheiro quando operava no Equador. A companhia já gastou milhões de dólares em subterfúgios legais intermináveis ​​e esforços de relações públicas para subjugar as vítimas do Equador e seus defensores, a fim de evitar a sua responsabilidade moral e legal”.

A Chevron usou o veredito do tribunal dos Estados Unidos para lançar dúvidas sobre a validade de pagar a sentença multibilionária em outros países, incluindo Canadá e Argentina.

Fora do julgamento, a companhia também acusou os residentes do país sul-americano e seus representantes de truques sujos.

Uma reportagem publicada na Businessweek revelou que alguns dos manifestantes não-equatorianos na reunião de acionistas em maio haviam recebido US$85 cada um de uma empresa de produção de Los Angeles para participar do protesto. A MCSquared negou qualquer envolvimento na contratação dos falsos ativistas.

Empresa ligada ao regime de Correa não notificou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre trabalhos de suporte e de relações públicas

Uma firma de relações públicas de Nova York divulgou no mês passado que o governo do Equador era um de seus clientes, apesar de não se registrar como agente estrangeiro no Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ por sua sigla em inglês), levantando questões legais sobre o seu relacionamento com o regime do país andino.

A firma, MCSquared, promoveu em maio protestos durante uma assembleia de acionistas da gigante petrolífera Chevron, mantendo postura semelhante à da administração do presidente Rafael Correa em um processo judicial ambiental de longa duração no Equador.

A MCSquared, que trouxe uma dupla de indígenas equatorianos para o protesto, disse a jornalistas na época, que a República do Equador era seu cliente. No entanto, a empresa afirma, agora, que não tem nenhuma relação o governo do país.

Questionada sobre os protestos, Karen Hinton, executiva de relações públicas que representa os demandantes no processo contra a Chevron, solicitou ao repórter da Bloomberg Paul Barrett que “entrasse em contato com a MCSquared. Eles cuidaram dos protestos”. Hinton disse a Barrett que o governo do Equador era cliente da MCSquared. Um funcionário da MCSquared disse o mesmo à PR Week.

Segundo especialistas, isso levanta espinhosas questões jurídicas para a firma já que qualquer pessoa que realize serviços de relações públicas nos Estados Unidos em nome de um governo estrangeiro deve comunicar esse fato ao Departamento de Justiça. A MCSquared não efetuou qualquer comunicado.

A Lei de Registro de Agente Estrangeiro (FARA por sua sigla em inglês) exige tais revelações por parte de “qualquer pessoa que se envolva direta ou indiretamente na publicação ou divulgação de informações orais, visuais, gráficas, escritas ou pictóricas de qualquer tipo” em nome de um governo estrangeiro ou de seus representantes.

“Qualquer pessoa que se envolva direta ou indiretamente em informar, aconselhar ou, de qualquer maneira, representar uma parte em quaisquer temas de relações públicas referentes a interesses políticos ou públicos, normas ou relações de tal parte” também deve comunicar essa atividade.

Questionada sobre a falta de divulgação, a porta-voz da MCSquared Maria Garay disse que a firma “atualmente [não] tem um relacionamento com o governo do Equador”.

Garay não respondeu a perguntas posteriores sobre se o governo foi em qualquer momento um cliente da MCSquared, e, em caso afirmativo, em qual período.

O protesto, o qual a MCSquare nega ter organizado diretamente, era parte de uma batalha legal, política e de relações públicas de décadas entre demandantes ambientalistas, apoiados pelo governo do Equador, e a Chevron, que adquiriu a Texaco e suas responsabilidades legais no Equador, em 2001.

A companhia atualmente não possui ativos no Equador. A Chevron obteve uma série de vitórias judiciais em seus esforços para impedir a execução de uma sentença de vários bilhões de dólares contra companhia através da apreensão de bens na Argentina, no Brasil e no Canadá.

Um tribunal de Nova York determinou recentemente que os demandantes no processo judicial estavam envolvidos em uma conspiração ilegal para obter a sentença, incluindo alegações de suborno e práticas jurídicas fraudulentas.

A MCSquared denominou as reivindicações legais da Chevron contra os demandantes como uma “campanha de retaliação”, em um comunicado de imprensa com de 26 de maio. A firma elogiou os protestos na assembleia de acionistas e anunciou que uma dupla de indígenas equatorianos “representando as comunidades afetadas” estaria presente.
Um desses equatorianos, Humberto Piaguaje, “ajudou a liderar o protesto, exibindo cartazes e cantando slogans”, informou a Bloomberg BusinessWeek.

A Bloomberg também revelou que alguns manifestantes que participaram do protesto na assembleia de acionistas receberam, supostamente, US$85 cada um de uma empresa de produção de Los Angeles para servir como “extras/figurantes” durante o protesto.

Em setembro, a prefeita de Richmond, Califórnia, Gayle McLaughlin, viajou para o Equador e visitou as áreas da Amazônia supostamente contaminadas pela Texaco.

De acordo com uma retificação em um demonstrativo financeiro apresentado por McLaughlin em maio, ela recebeu US$ 4.498,94 da “Presidencia Republica del Ecuador (através da MCSquared PR, Inc.)” para a viagem.

Além da divulgação do trabalho de relações públicas, a FARA requer que entidades de lobby ou que realizem defesa de políticas em nome de um governo estrangeiro divulguem esse fato.

A FARA tornou-se lei em 1938 como uma forma de atenuar esforços nazistas para dissuadir o público norte-americano de apoiar a intervenção militar na Europa. A lei não restringe a advocacia em nome de princípios estrangeiros, apenas exigindo que seja rotulada como tal.

Um advogado que lida com o cumprimento da FARA disse ao Washington Free Beacon que o trabalho da MCSquared na assembleia de acionistas da Chevron é “o tipo de trabalho que o Departamento de Justiça estaria interessado”.

Garay insistiu que o trabalho da MCSquared na reunião foi realizado pro bono em nome dos indígenas equatorianos que compareceram ao evento.
No entanto, o advogado da FARA, que pediu para não ser identificado, disse que os paralelos entre os interesses de uma parte estrangeira e as atividades supostamente empreendidas em nome de um cliente separado poderia ainda levantar suspeitas.

“A maior preocupação é se uma entidade está fazendo, talvez, um trabalho remunerado em nome de uma parte estrangeira para depois alegar que está realizando um trabalho semelhante pelo qual não está sendo paga em nome deste cliente pro bono, o Departamento de Justiça poderia se inclinar a perguntar por que eles estão engajados nesta atividade de graça”, disse o advogado.

A MCSquared tem divulgado eventos contra a Chevron relacionados a danos ambientais no Equador desde outubro do ano passado, um mês depois que a firma pagou a viagem de McLaughlin ao país.

Seus funcionários também têm laços diretos com o governo equatoriano. Cynthia Zapata Solis, que aparece como um contato no website da MCSquared, já trabalhou em vários cargos para o governo do Equador pelo menos desde 2008, quando ela conseguiu um emprego com o Ministério do Meio Ambiente, de acordo com os resultados de uma pesquisa em seu perfil no LinkedIn, que foram agora apagados.

Jean Paul Borja, o funcionário da MCSquared que confirmou para a PR Week que o governo do Equador era um cliente, tem frequentemente escrito em um meio de comunicação estatal do Equador, El Ciudadano, ou O Cidadão. Um edição forneceu o seu endereço de e-mail da MCSquared como informação de contato.

Artigos assinados por Borja apareceram no El Ciudadano até abril deste ano, quando ele escreveu um artigo intitulado “Celebridades e especialistas apoiam o Equador em sua luta contra a Chevron”. O artigo divulgou a visita financiada pela MCSquared de McLaughlin ao Equador.

O El Ciudadano é comandado pela Secretaria Nacional de Comunicações do país, órgão que tem sido criticado por dissidentes equatorianos como um dos meios mais importantes do governo Correa para regular e censurar as vozes da oposição na imprensa do país.

Um redator do El Ciudadano já havia acusado o Free Beacon de “tentar desinformar a comunidade internacional sobre a sentença [da Chevron]”.

Em março, o Juiz Lewis Kaplan, da Corte Federal dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, decidiu que o litígio contra a Chevron apresentado pelo advogado litigante Steven Donziger por suposta contaminação ambiental no Equador foi fraudulento, representando uma violação da Lei de Combate a Organizações Corruptas e Influenciadas pelo Crime Organizado.

Kaplan proibiu Donziger e seus companheiros equatorianos — e os financiadores endinheirados que apoiaram o litígio — de receber qualquer quantia relacionada à decisão de um juiz equatoriano que concedeu aos demandantes uma sentença de cerca de US$18 bilhões, reduzida posteriormente para US$9 bilhões.

O veredito demonstrou talvez o ponto máximo que chegaram as extorsões de advogados litigantes contra empresas norte-americanas, com a derrubada de Kaplan às duas décadas de ataque litigioso. Na decisão de quase 500 páginas consta que:

[Donziger] e os advogados equatorianos que ele comandava corromperam o caso de Lago Agrio. Eles submeteram provas fraudulentas. Eles coagiram um juiz, primeiro a usar um “perito global”, nomeado pelo tribunal e supostamente imparcial, para realizar uma avaliação integral dos danos e, então, nomeou para esse papel importante um homem que Donziger escolheu com cuidado e pagou para “ficar totalmente” do lado [dos demandantes de Lago Agrio]. Eles então pagaram uma firma de consultoria do Colorado para secretamente escrever todos ou a maioria do relatório do perito global, falsamente apresentando o relatório como o trabalho do perito nomeado pelo tribunal e supostamente um especialista imparcial, e contando meias verdades ou pior para as cortes dos Estados Unidos na tentativa de evitar a exposição dessa e de outras irregularidades. Em última análise, a equipe [dos demandantes de Lago Agrio] escreveu ela mesma a Sentença da Corte de Lago Agrio e prometeu US$500 mil para o juiz equatoriano decidir a seu favor e assinar a sua sentença. Se alguma vez houve um caso que justificasse uma reparação justa em relação a uma sentença adquirida através de fraude, é esse.

Desde a decisão do início de março, muitos outros acontecimentos ocorreram, para dizer o mínimo, muito para recapitular o caso em no espaço limitado de um post de blog. Para o público interessado na história, nós gostaríamos de recomendar “Law of the Jungle: The $19 Billion Legal Battle Over Oil in the Rain Forest and the Lawyer Who’d Stop at Nothing to Win” (“Lei da selva: a batalha legal de US$19 bilhões sobre petróleo na floresta tropical e o advogado que faria tudo para ganhar”), escrito por Paul M. Barrett, da Bloomberg/Businessweek, que deve sair em setembro.

Ainda assim, alguns destaques que vão desde a contratação de manifestantes contra a Chevron por US$85 ao dia até os fiascos de um escritório de advocacia e a retórica cada vez mais desesperada dos advogados litigantes:

Paul M. Barrett, “The Real Waste Behind the Phony Anti-Chevron Protesters” (“A Verdadeira sujeira por trás dos falsos manifestantes contra a Chevron”):

O mistério do falso protesto contra a Chevron (CVX) continua a engrossar. Como eu informei na semana passada, a reunião anual dos acionistas da companhia petrolífera em Midland, Texas, no dia 28 de maio, atraiu uma manifestação ambiental recheada de participantes falsos que receberam US$85 cada um para agitar cartazes e gritar slogans.

“Parecia bem encenado”, contou-me Maria Garay na segunda-feira. Executiva de relações públicas baseada no Brooklyn (Nova York), Garay ajudou a promover o evento, mas disse que ela não tinha nada a ver com os falsos manifestantes. Ela não sabe quem eles eram ou quem lhes pagou. “Havia um rapaz alto, de cabelo louro platinado, que estava dizendo aos manifestantes o que gritar e onde ficar”, disse Garay.

Normalmente, a identidade do rapaz loiro platinado – e, aliás, em todo este episódio bizarro – poderia parecer um pequeno constrangimento para os sérios adversários da poluição ambiental. É mais importante, no entanto, porque é emblemático na desonestidade que passou a permear a campanha ativista de duas décadas concentrada na contaminação por petróleo no Equador.

Não, o rapaz loiro platinado não era o Sting. Ele não é tão alto. E o loiro vem e vai.

Mais…

Bloomberg, Faux Activism: Recruiting Anti-Chevron Protesters for $85 a Head (Falso Ativismo: Recrutando Manifestantes Contra a Chevron por $85 Cada Um)

Bloomberg, “Squire-Sanders, Patton Boggs Merge After Chevron Fight” (“Squire-Sanders e Patton Boggs Se Unem Após Briga com a Chevron”)

Midland-Reporter-Telegraph, “Chevron responds to recent op-ed from Ecuador’s ambassador”  (Chevron responde a recente comentário de embaixadora equatoriana”):

A recente coluna da embaixadora equatoriana Nathalie Cely contém diversas omissões e falsidades gritantes.

Acima de tudo, ela não menciona que, em março, um tribunal federal dos Estados Unidos decidiu que a sentença equatoriana contra a Chevron foi produto de atividades fraudulentas e extorsão e determinou que a sentença seja inexequível nos Estados Unidos. Como o Juiz Lewis Kaplan, que presidiu o caso, afirmou no parecer do tribunal: “As ações errôneas de Donziger e da sua equipe legal equatoriana seriam ofensivas às leis de qualquer nação que aspira ao Estado de Direito, incluindo Equador — e eles sabiam disso”.

The Amazon Post (Chevron blog), “Donziger’s PR Team Joins Republic of Ecuador in Promoting Junk Science” (“Equipe de Relações Públicas de Donziger Se Une à República do Equador para Promover Falsa Ciência”).

• Techdirt, “Company Hired By Ecuador Uses Bogus Copyright Claims To Censor Website Of Ecuadorian Newspaper” (“Empresa contratada pelo Equador Usa Falsos Direitos Autorais para Censurar Website de Jornal Equatoriano”).

Finalmente, o programa “60 Minutes” sutilmente corrige o que reportou em um segmento de março de 2009 sobre o litígio. Me parece que uma retratação completa em sua transmissão seria mais jornalisticamente apropriada.

O mistério do falso protesto contra a Chevron (CVX) continua a engrossar. Como informei na semana passada, a reunião anual dos acionistas da companhia petrolífera em Midland, Texas, no dia 28 de maio, atraiu uma manifestação ambiental recheada de participantes falsos que receberam US$85 cada um para agitar cartazes e gritar slogans.

“Parecia bem encenado”, contou-me Maria Garay na segunda-feira. Executiva de relações públicas com baseada no Brooklyn (Nova York), Garay ajudou a promover o evento, mas disse que ela não tinha nada a ver com os falsos manifestantes. Ela não sabe quem eles eram ou quem lhes pagou. “Havia um rapaz alto, de cabelo louro platinado, que estava dizendo aos manifestantes o que gritar e onde ficar”, disse Garay.

Normalmente, a identidade do rapaz loiro platinado – e, aliás, em todo este episódio bizarro – poderia parecer um pequeno constrangimento para os sérios adversários da poluição ambiental. É mais importante, no entanto, porque é emblemático da desonestidade que passou a permear a campanha ativista, de duas décadas, concentrada na contaminação por petróleo no Equador.

Agora, o mini fiasco em Midland tem Garay e outros que se auto intitulam defensores dos pobres e oprimidos da floresta tropical equatoriana acusando-se mutuamente. O espetáculo à parte é uma distração para o real dano ecológico causado ao longo dos anos, por perfuradores de petróleo norte-americanos e equatorianos. Uma breve recapitulação do meu artigo anterior sobre as palhaçadas que ocorreram reunião anual da Chevron:

Dezenas de manifestantes se reuniram na frente do Museu do Petróleo da Bacia do Permiano, em Midland, para condenar a Chevron, que realizou sua reunião anual na quarta-feira na localização histórica na região produtora do oeste do Texas. …Para encher o protesto com manifestantes, uma empresa de produção de Los Angeles ofereceu aos residentes locais US$85, para cada um, a fim de que servissem, como o que a firma descreveu em um e-mail de recrutamento, como “extras/figurantes”. Julieta Gilbert, produtora-executiva da empresa DFLA Films, disse no e-mail que a empresa “precisava de um grupo de pessoas para ajuda-los a documentar este evento… Nós pagaremos US$85 para cada um. Eles ficarão no local por duas horas (das 08:00 às 12:00). Precisamos de pessoas eticamente [sic] diversas”.

Quando eu liguei para Gilbert em Los Angeles, ela não refutou a autenticidade do e-mail de recrutamento e confirmou que esteve em Midland filmando a ação. Ela negou que organizou o protesto, não disse a pedido de quem estava filmando o mesmo, e simplesmente ignorou a pergunta de quem pagou pelos “extras”. Gilbert não retornou mais as minhas ligações ou um e-mail.

Karen Hinton, a encarregada de relações públicas de Steven Donziger, o principal advogado dos demandantes na ação judicial contra a Chevron, disse que a equipe jurídica não pagou os manifestantes. Donziger ganhou uma sentença de US$19 bilhões contra a Chevron no Equador em 2011. Mas, em março, o Juiz Distrital dos Estados Unidos Lewis Kaplan decidiu em Nova York que a vitória de Donziger foi obtida através de provas forjadas, suborno e extorsão – fatos que Donziger negou e apelou. Hinton sugeriu que eu entrasse em contato com a MCSquared, uma empresa de relações púbicas com sede em Brooklyn, Nova York, que promoveu o protesto em Midland e que já trabalhou para a República do Equador, país que apoia a ação judicial contra a Chevron.

A MCSquared é a firma de Maria Garay. Ela e um colega, Jean Paul Borja, também estavam em Midland para o protesto e bombardearam a imprensa com vários comunicados sobre a manifestação. Eles disseram que o seu papel limitava-se a auxiliar dois membros de tribos indígenas que viajaram do Equador para Midland. Os membros indígenas não receberam pagamento, segundo Garay. Um deles, Humberto Piaguaje, está seriamente envolvido no processo judicial de Donziger, mas Garay disse que ela nunca conheceu Donziger ou Hinton. O Amazon Watch, um grupo com sede em São Francisco que já organizou outros protestos contra a Chevron em cooperação com Donziger e Hinton, também disse através de um e-mail que não tinha nada a ver com a manifestação em Midland.

Garay indicou-me um interessante post escrito por Lindsay Abrams, uma editora-assistente no website Salon e que escreve sobre sustentabilidade. Abrams entrevistou alguns dos manifestantes de Midland que apenas proporcionaram seus primeiros nomes e que se identificaram como membros de outro grupo, chamado Toxic Effect, cujos participantes, segundo ela, “são na maioria oriundos de países sul-americanos”. De acordo com Abrams, o Toxic Effect realizou uma campanha paga (“brandjacking”) no Twitter (TWTR) que coincidiu com a reunião anual da Chevron.

Em seu próprio website, o Toxic Effect confirmou que criou a hashtag #AskChevron na esperança de que os usuários do Twitter suporiam que a própria companhia patrocinou a campanha (o que não é verdade). A elaborada jogada psicológica aparentemente funcionou. Muitos usuários do Twitter responderam à #AskChevron condenando veemente a companhia. A #AskChevron apareceu no Twitter mais de 9 mil vezes.

Há mais uma conexão entre os manifestantes alugados de Midland e a #AskChevron. A DFLA Films pediu aos potenciais contratados que visitassem a página do Facebook (FB) “Chevroff” (Entendeu? Em vez de Chevron). A página Chevroff proeminentemente destaca links para a hashtag #AskChevron, incluindo uma imagem manipulada de Michelle Obama para que a primeira-dama apareça como se estivesse segurando um cartaz que diz: “#AskChevron about environmental disaster” (“#PergunteàChevron sobre o desastre ambiental”). A foto, como a #AskChevron e o protesto de Midland, é um truque.

Eu não sei a identidade do rapaz loiro platinado, se ele pagou os extras, ou de qual desses grupos ele faz parte, se fizer. No final isso não importa muito. O que importa é que uma enorme quantidade de pessoas está investindo tempo, energia e dinheiro em encenações vazias que não estão fazendo que se limpe sequer uma gota de petróleo. Ao optar por jogos fraudulentos seja no tribunal, na rua ou no ambiente on-line, os supostos ativistas estão minando a credibilidade da causa que professam representar.