The Amazon Post

Por Kira Lerner

Law360, Nova York (2 de outubro de 2014, 3:18 PM ET) – A Chevron Corp. solicitou ao Segundo Circuito, na quarta-feira, que confirme uma ordem que proíbe a execução de uma sentença de US$9,5 bilhões em sua luta contra o advogado que representou indígenas equatorianos em sua batalha contra poluição, argumentando que o tribunal distrital concluiu corretamente que Steven Donziger obteve a sentença por meio de fraude.

Em documento 185 páginas, a Chevron argumentou que o Juiz Distrital Lewis A. Kaplan concluiu corretamente que Donziger liderou uma rede de extorsão e obteve a sentença para os demandantes de Lago Agrio através de suborno, coerção e de uma série de mentiras ao emitir uma liminar bloqueando a execução do veredito por poluição de janeiro de 2012.

“Steven Donziger e seus associados foram considerados, por um tribunal federal dos Estados Unidos, culpados de terem cometido extorsão, fraude postal e eletrônica, lavagem de dinheiro, suborno de funcionários estrangeiros, manipulação de testemunhas e obstrução da justiça”, disse a Chevron em comunicado na quinta-feira. “A opinião abrangente do tribunal distrital documentou conclusivamente a enorme fraude cometida neste caso. A análise jurídica do tribunal é sólida, e as liminares concedidas pelo tribunal impedem adequadamente que os perpetradores lucrem com seus delitos”.

Respondendo aos argumentos expostos por Donziger em seu recurso de apelação, a Chevron alega ter legitimidade para apresentar o caso e afirma que a conclusão do tribunal distrital é baseada em descobertas “inquestionáveis​​”.

Donziger argumentou em seu recurso que o tribunal equatoriano essencialmente realizou um novo julgamento e confirmou a sentença por poluição em janeiro de 2012. No entanto, o Juiz Kaplan concluiu em março que a sentença era inválida nos termos Lei de Combate a Organizações Corruptas e Influenciadas pelo Crime Organizado (RICO em sua sigla em inglês), e a Chevron argumenta que os tribunais equatorianos não são confiáveis.

“Depois de uma análise cuidadosa e extensa das provas, o tribunal distrital constatou que o Poder Judiciário do Equador não possui um tribunal imparcial, especialmente em casos politizados”, disse a Chevron em seu documento.

Em seu documento, a Chevron também afirma que os dois demandantes de Lago Agrio que apresentaram a apelação, Hugo Gerardo Camacho Naranjo e Javier Piaguaje Payaguaje, apenas mencionam a fraude vagamente em seus argumentos.

Em março, o Juiz Kaplan declarou que a sentença contra a Chevron é produto de uma “fraude flagrante” e proibiu a execução da mesma nos Estados Unidos.

A sentença, que chegou a US$19 bilhões antes de ser confirmada e cortada pela metade no ano passado pela mais alta corte do Equador, abordava alegações de que a Texaco Inc., predecessora da Chevron, destruiu recursos naturais e deixou residentes indígenas acometidos com câncer e outras doenças devido ao derramamento de petróleo bruto na floresta tropical da Amazônia décadas atrás.

Donziger não estava imediatamente disponível para comentar o assunto na quinta-feira.

Donziger é representado por Deepak Gupta, Gregory A. Beck e Jonathan E. Taylor, do escritório Gupta Beck PLLC, e Justin Marceau e John Campbell, da Faculdade de Direito Sturm da Universidade de Denver.

A Chevron é representada por Andrea E. Neuman, Randy M. Mastro, William E. Thomson e Theodore B. Olson, do escritório Gibson Dunn.

O caso é Chevron Corp vs. Donziger, caso número 14-0826, no Tribunal de Apelações do Segundo Circuito dos Estados Unidos.

–Reportagem adicional de Andrew Scurria. Edição de Mark Lebetkin.

National Post
Sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Página: FP9
Seção: FP Comment
Autor: Peter Foster
Fonte: National Post

A esquerda sempre fica do lado contrário ao das empresas em qualquer disputa, independentemente dos fatos. Dificilmente houve um exemplo tão bizarro de detratores empresariais que apoiam um corrupto e indefensável “David” contra um justo corporativo “Golias” do que no caso dos nativos equatorianos versus a Chevron Corp., sediada na Califórnia.

O que o caso realmente significa é uma tentativa de um advogado norte-americano chamado Steve Donziger de obter uma grande quantia persuadindo a Chevron de que seria mais fácil resolver o caso do que lutar contra acusações falsas. Em vez disso, a Chevron disse que iria lutar até o inferno congelar e, em seguida, continuar lutando sobre o gelo.

Não só os ecologistas usuais como Danny Glover, Mia Farrow, e Trudie Styler (Sra. Sting) assumiram a causa, mas a União Canadense de Funcionários Públicos (CUPE por sua sigla em inglês) também se uniu recentemente à briga, junto com o arrogante vereador de Toronto, Joe Mihevc, e a ONG local ‘rentamobs’. Isso porque a carcaça fedorenta desta ação judicial chegou ao Canadá.

A decisão de se o caso pode ser apresentado em Ontário será submetida ao Supremo Tribunal do Canadá até o final do ano. Um tribunal de Ontário originalmente decidiu que, embora pudesse haver motivos jurisdicionais para permitir o caso (uma decisão que não disse nada sobre os méritos do caso em si), esse tipo de exercício seria uma perda de tempo judicial. Essa decisão foi anulada em uma apelação, que levou ao pedido bem-sucedido da Chevron para uma decisão do Supremo Tribunal.

O caso refere-se a danos ambientais supostamente causados ​​no Equador pela Texaco, companhia que a Chevron adquiriu em 2001. A Texaco, que parou de operar no país sul-americano em 1992, na verdade pagou pela remediação e foi liberada de quaisquer outras obrigações por parte das autoridades equatorianas.

Aqui entra o Sr. Donziger, um ex-colega de classe do presidente Barack Obama na Escola de Direito de Harvard, que apresentou a si mesmo como defensor dos oprimidos, ao mesmo tempo em que se vendia para financiadores de litígios como uma aposta certa. Em fevereiro de 2011, pareceu que o Sr. Donziger havia ganhado na loteria. Um juiz equatoriano estabeleceu uma indenização de US$ 18 bilhões (posteriormente reduzida para US$9,5 bilhões).

A Chevron iniciou uma ação civil nos Estados Unidos e, em março passado, o Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York proferiu uma deslumbrante decisão de 500 páginas, declarando que a sentença equatoriana era inexequível nos Estados Unidos porque o Sr. Donziger a havia obtido através de extorsão, lavagem de dinheiro, fraude eletrônica, violações à Lei de Práticas Corruptas no Exterior, manipulação de testemunhas e obstrução da justiça. O Juiz Lewis Kaplan afirmou que “as ações errôneas de Donziger e de sua equipe legal equatoriana seriam ofensivas às leis de qualquer nação que aspire ao Estado de direito”.

O que nos traz de volta ao Canadá, e por que o Sr. Donziger e companhia se interessariam em apresentar seu caso aqui. A razão mais óbvia é que a subsidiária Chevron no país, a Chevron Canadá, possui ativos substanciais. O Canadá também é mundialmente conhecido pela facilidade que ações judiciais contra o petróleo tem em atrair multidões.

O caso do Sr. Donziger em Ontário está sendo movido pelo advogado de Toronto Alan Lenczner, que lamentou a “degradação da floresta tropical”, e ainda afirmou “Eu estive lá e vi a devastação”. Tal afirmação é implausível, pelo menos se ele está se referindo a qualquer devastação causada pela Texaco há mais de vinte anos. Desde então é a companhia petrolífera estatal Petroecuador que continuou operando na região e, portanto, qualquer devastação quase certamente seria por parte da empresa do Estado.

Companhias muitas vezes resolvem casos assim fora dos tribunais ao invés de suportar processos judiciais intermináveis ​​e lutar contra adversários que são muito mais hábeis em manipular a mídia. Um dos muitos, muitos detalhes embaraçosos revelados através da intimação dos e-mails do Sr. Donziger é o flagrante de alguns jornalistas, em particular de William Langeweische, da revista Vanity Fair.

Entre outros jornalistas solidários que foram absorvidos para ficarem do lado dos “mais fracos”, estava Paul M. Barrett, que escreveu um artigo complacente para a revista BusinessWeek em 2011. No entanto, quando o Sr. Barrett se aprofundou no assunto, ele perdeu suas simpatias, pelo menos com o Sr. Donziger. Seu livro, The Law of the Jungle (A Lei da Selva), confirma a corrupção tanto do Sr. Donziger como do sistema judicial do Equador, assim como outro trabalho publicado recentemente, Crude Awakening (Um Bruto Despertar), de Michael D. Goldhaber.

O Sr. Donziger lançou uma campanha de difamação contra o Sr. Barrett e recorreu da decisão do Juiz Kaplan, embora pareça que agora ele está lutando mais para ficar fora da cadeia do que por seus clientes equatorianos.

É possível sentir muita pena por aqueles que estão sendo explorados nesta confusão, mas seu sofrimento é devido ao governo populista de Rafael Correa e aos padrões irresponsáveis ​​da Petroecuador, não por causa da Chevron ou das suas companhias predecessoras. Enquanto isso, a preocupação do Sr. Donziger pelos nativos pode ser medida pelo fato de que ele tentou parar a limpeza da área contaminada pelo governo porque os trabalhos foram estimados em um preço relativamente pequeno, fazendo com que, assim, suas próprias reivindicações parecessem ainda mais ridículas.

Diversos ex-associados do Sr. Donziger foram se afastando do seu navio condenado. É de se imaginar se o Sr. Lenczner esteja preocupado com a afirmação da Chevron de que “vai resistir a qualquer tentativa de execução e vai responsabilizar em toda a extensão da lei a qualquer um que tente executar a sentença fraudulenta em outra jurisdição”. Um dos escritórios de advocacia usados pelo Sr. Donziger, o Patton Boggs, concordou em pagar US$15 milhões à Chevron.

A Chevron parece agora ser a questão política número um do Equador. O país já teria incumbido seus diplomatas com a prossecução do caso, presumivelmente incluindo o apoio a protestos no Canadá por parte de anticapitalistas e seguidores de qualquer causa. Mas, se o mundo precisa ou não mais do Canadá, a última coisa que o Canadá precisa é de mais Equador, ou de casos trazidos para o país como os do Sr. Donziger.

Haia, 26-9-2014

A Suprema Corte confirmou hoje que o Equador deve pagar uma substancial compensação à petrolífera Chevron.
O processo referia-se a um conflito sobre um contrato de concessão entre o Equador e uma subsidiária da Chevron. Em 1964, o Equador concedeu à Chevron uma concessão para extração e exploração de petróleo no território amazônico, que expirou em 6 de junho de 1992. No início dos anos 90, a Chevron moveu sete processos judiciais no Equador com base em supostas violações do contrato de concessão por parte do governo local. Por sua vez, o Equador alegou que a Chevron havia poluído a área de concessão.

Em 1997, um Tratado Bilateral de Investimento (BIT por sua sigla em inglês) entrou em vigor entre o Equador e os Estados Unidos com a finalidade de promover a cooperação econômica entre as duas nações. O tratado incluiu disposições para proteger os investimentos das entidades jurídicas de cada um dos países. Uma entidade jurídica de um país que não estivesse satisfeita por não haver recebido proteção adequada no outro país poderia solicitar a cláusula de arbitragem para submeter a disputa a um tribunal arbitral.

A Chevron iniciou um processo de arbitragem contra o Equador, nos termos do tratado, argumentando que os tribunais do país não se haviam pronunciado sobre as suas reivindicações por um período de quase 10 anos, e que essas reivindicações deveriam ser consideradas “investimentos” dentro da definição do BIT. Um dos argumentos do Equador era de que tais alegações não poderiam ser consideradas como investimentos e que os árbitros, portanto, não eram competentes para se pronunciar sobre a disputa.

Os árbitros aceitaram a jurisdição e, no processo de arbitragem realizado em Haia, ordenaram que o Equador pagasse uma quantia substancial de indenização. O Equador, em seguida, apresentou um recurso nos tribunais holandeses a fim de cassar a decisão arbitral. O tribunal distrital indeferiu o pedido do Equador e a Corte de Apelações confirmou essa decisão.

O advogado-geral Jaap Spier aconselhou que a Suprema Corte derrubasse a decisão da Corte de Apelações, mas a Suprema Corte negou a apelação em cassação. A Suprema Corte decidiu particularmente que embora a arbitragem tenha incidido até certo ponto na soberania nacional do Equador, isto foi uma consequência do tratado (ou seja, do BIT) que o país havia optado por realizar com os Estados Unidos, o qual inclui a extremamente ampla definição do conceito de investimento, uma definição que se desvia do uso comum do termo. A Corte de Apelações era livre para decidir que os processos judiciais interpostos pela Chevron que estavam pendentes quando o BIT entrou vigor em 1997 deveriam ser considerados como “investimentos” no sentido especial concedido a esse termo pelas partes contratantes, mesmo que este termo ainda não fosse geralmente empregado para abranger tais alegações.

Os tratados de investimento – e as consequências de longo alcance que possam ter – atraem uma grande atenção em todo o mundo.

Esta notícia faz referência ao julgamento da Corte Suprema de 26 de setembro de 2014. O texto integral da sentença (13/04679; apenas em holandês) pode ser encontrado em www.hogeraad.nl, ECLI:NL:HR:2014:2837.

Uma Fraude Verde

DATE: Oct. 9, 2014 POSTED IN: Portugues Notícias

Da edição de 6 de outubro de 2014 da revista National Review

Por Kevin D. Williamson

Deste lado temos um advogado de direitos humanos que representa os interesses dos povos indígenas da Amazônia, residentes em um local remoto do Equador, poluído por subprodutos da exploração petrolífera; do lado oposto temos a Chevron, a gigante petrolífera multinacional com bilhões de dólares disponíveis, mas que se recusa a dar um tostão sequer para que se faça justiça aos relegados indígenas equatorianos. É um testemunho da insipidez, da falta de curiosidade e da corrupção das classes intelectuais, desde os editores da revista Vanity Fair até celebridades-ativistas como o Sr. e a Sra. Sting, que esta versão de eventos entre bons e maus foi razão suficiente para que os luminares da esquerda se incluíssem no que acaba de ser quase que certamente a maior tentativa de extorsão registrada na história da humanidade.

Para aqueles que não têm acompanhado o caso, e para aqueles que possam estar familiarizado com o mesmo através destas páginas e de outros meios, o jornalista da revista Bloomberg Businessweek, Paul M. Barrett, oferece um relato minucioso do episódio no livro “Law of the Jungle: The $19 Billion Legal Battle Over Oil in the Rain Forest and the Lawyer Who’d Stop at Nothing to Win” (“Lei da Selva: A batalha legal de US$19 Bilhões por petróleo na floresta tropical e o advogado que faria tudo para ganhar”), da editora Crown, 304 páginas, US$26,00. Mas, antes de nos aprofundarmos no livro do Sr. Barrett, os leitores deveriam se deliciar com o artigo do jornal Miami Herald que conta como Steven Donziger, o “advogado que faria tudo para ganhar” do subtítulo de Barrett, corrompeu a reportagem da revista Vanity Fair sobre o caso. O autor do artigo publicado na Vanity Fair, William Langewiesche, foi tão completamente seduzido pela interpretação de defensor dos direitos humanos do Sr. Donziger que ele literalmente deixou que o advogado dos demandantes escrevesse as perguntas que ele estava submetendo à Chevron – e chegou até mesmo ao ponto de enviar cópias para que Donziger aprovasse. As trocas de e-mails entre os dois foram divulgadas como parte do processo legal de investigação e chegam a mostrar o advogado pedindo desculpas ao suposto jornalista independente por ser “um pouco agressivo na edição”.

Mas, usar a Vanity Fair como seu fantoche não foi a maior das realizações de Donziger, como o livro de Barrett zelosamente explica. Scott Pelley e o programa de televisão 60 Minutes engoliram sua versão dos acontecimentos sem mastigar, assim como um bom número de grandes meios de comunicação. “Crude”, um filme que se apresenta como um documentário independente sobre o episódio, foi editado como Donziger determinou e, nem é preciso dizer, foi elogiadíssimo pelo jornal The New York Times e outros. O jornal The Huffington Post publicou o trabalho da publicitária de Donziger sem nunca explicar que ela não somente estava sendo paga pelo advogado dos demandantes, como havia tentado se incluir para receber uma porcentagem do que acabou sendo uma sentença de muitos bilhões de dólares.

E, se a mídia foi deturpada de tal forma que chocaria até mesmo um cínico, as instituições jurídicas no Equador foram corrompidas muito além do que até mesmo se poderia esperar de um pobre e atrasado país sul-americano. Em uma passagem particularmente divertida, Barrett conta que Donziger e outros conseguiram corromper um perito nomeado pelo tribunal – que deveria ser independente – para que avaliasse a extensão dos danos ambientais no Equador e o custo previsto para a mitigação dos prejuízos. O relatório apresentado ao tribunal não foi o que realizou o perito independente, mas o de um consultor científico contratado por Donziger. Mas, a equipe de Donziger não parou por aí: com medo de que o relatório obviamente parecesse o seu próprio trabalho, eles prepararam uma série de objeções ao mesmo – e roteirizaram a resposta do perito “independente” também para as suas objecções. Quando ficou claro nas fases iniciais do litígio que eles não iriam conseguir a vitória nos tribunais norte-americanos, eles escreveram o estatuto de litígios com o qual mais tarde iriam processar a Chevron nesse país, adaptando a própria lei para as necessidades particulares da sua ação judicial.

Deveria haver maneiras mais fáceis para se ganhar uns bilhões de dólares.

Barrett relata estes fatos zelosamente, mas o impacto total dos mesmos não consegue lhe dar a impressão adequada. Em sua narrativa, a história é sobre agressivos advogados corporativos contra agressivos advogados de direitos humanos, uma espécie grosseira de equivalência moral em uma batalha onde Donziger e seus aliados foram finalmente tentados a realizar atos que um juiz norte-americano determinaria como sendo um caso de extorsão. Mas, os fatos sugerem decididamente que o bem-estar dos residentes da Amazônia equatoriana nunca foi calculado seriamente por Donziger. Como Barrett conta – um fato até então desconhecido para mim – Donziger trabalhou ativamente para fazer com que o governo do Equador e a sua empresa estatal de petróleo parassem com os trabalhos de limpeza dos locais que foram poluídos pela perfuração: quanto maior o dano que se podia mostrar, maior era o sofrimento do povo equatoriano, mais forte era o seu caso. Barrett é um repórter confiável, mas ele resiste ao que parece ser a conclusão inevitável: nunca houve nada neste caso que fosse diferente a uma tentativa de extorsão desde o início. Donziger e seus aliados não se corromperam; eles entraram assim neste litígio.

O estranho é isso: a Chevron nunca perfurou poços de petróleo no Equador.

Durante alguns anos, a Texaco foi a sócia minoritária em um consórcio com a Petroecuador, a empresa estatal de petróleo do Equador. Quando a Texaco concluiu seu negócio com a Petroecuador, a companhia entrou em um acordo com o governo equatoriano para remediar uma série de locais de perfuração na floresta tropical, proporcional à sua participação acionária no consórcio, que era de cerca de um terço. (Aproximadamente, 90 por cento dos lucros do consórcio ao longo das décadas foram para as instituições do governo equatoriano e suas afiliadas). A Texaco completou o seu trabalho, o governo equatoriano confirmou que estava satisfeito com a remediação, assim como liberou a Texaco de qualquer outra responsabilidade relacionada ao tema. Isso foi fundamental já que os locais restantes ficaram sob a responsabilidade da Petroecuador e do governo equatoriano, e a poluição proveniente deste lugares poderia ter sido facilmente confundida com a poluição proveniente dos locais da Texaco – especialmente por aqueles com um interesse financeiro em enxergar essa confusão.

Então, isso leva à parte mais contundente da evidência apresentada no livro de Barrett. É quase certo que seja verdade que os padrões ambientais aos quais o governo equatoriano responsabilizou a Texaco eram muito mais flexíveis do que teriam sido no caso de uma operação nos Estados Unidos. E, por todos os registros, a Petroecuador não conseguiu realizar a remediação pela qual era obrigada – mas Donziger, preventivamente, prometeu às autoridades equatorianas que ele nunca iria exigir uma indenização por parte do governo nacional ou da sua empresa petrolífera, e se recusaria a receber ou aceitar os danos contra eles se os mesmos fossem atribuídos por um tribunal. Com isso, o governo equatoriano estava liberado para apoiar o esquema de Donziger para tentar levantar bilhões de dólares de uma multinacional estrangeira, enquanto que os chamados defensores dos direitos humanos tinham concedido imunidade ao governo e à Petroecuador.

O papel da Chevron nesta história é simplesmente o de haver adquirido a Texaco durante o período de consolidação energética da indústria do petróleo há alguns anos. A companhia subestimou grosseiramente o provável impacto do litígio de Donziger, talvez devido em parte à ineficiência do diretor-geral da Texaco, Deval Patrick, que atualmente é o governador de Massachusetts. O governador Patrick, que é negro, foi contratado como o principal advogado da Texaco no meio de um grave escândalo por discriminação racial. Como Barrett expõe, Patrick não tinha vontade de jogar corporativamente pesado em cima do sofrimento dos indígenas da Amazônia.

Existem alguns momentos verdadeiramente chocantes no livro: durante um jantar informal, aliados de Donziger afirmam que nenhum juiz decidiria contra eles, porque qualquer juiz que o fizesse seria, provavelmente, assassinado. O filosófico advogado diz que o juiz do caso provavelmente acha que isso poder acontecer, e isso já é o suficiente. Na verdade, a ameaça de violência contra funcionários judiciais e outros que se opuseram a Donziger é um dos temas do livro. Eu mesmo tive que cancelar duas viagens diferentes para inspecionar os antigos locais da Texaco no Equador quando a Chevron foi obrigada a retirar seu pessoal de lá por riscos à sua integridade física.

Há muitos personagens e episódios para acompanhar em “Law of the Jungue” e Barrett é, se não um fascinante contador de histórias, razoavelmente hábil para ajudar o leitor a manter tudo em contexto e interessado ao longo da história. E ele particularmente se destaca em seus pensamentos finais sobre a natureza das empresas petrolíferas estatais. “A companhia não se esgueirou no Oriente”, escreve ele, e observa que a firma chinesa SINOPEC enfrenta pouca ou nenhuma perspectiva de ser mantida nos altos padrões ambientais de Pequim.

O verdadeiro pecado da Texaco, e da Chevron, é a associação de boa vontade a esses empreendimentos; executivos do petróleo não são tão ingênuos a ponto de não apreciar o que a Petroecuador é, e o que o governo do Equador era (era, na época do envolvimento inicial da Texaco, uma junta militar). Como eu disse para um executivo da Chevron há algum tempo: “você foi para a cama com o diabo – você é obrigado a experimentar a posterior sensação de ardor”. Mas, “ir para a cama com o diabo” é, infelizmente, uma outra forma de dizer “estar no negócio do petróleo global”. No mundo do capitalismo de compadres, o Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos é um smurf em comparação com as companhias petrolíferas estatais. Estou aberto a aceitar um imposto punitivo para qualquer um que faça negócios com o governo do Equador, ou da Nigéria, ou da China. Mas, US$19 bilhões parece um pouco alto.

- Kevin D. Williamson é correspondente da revista NATIONAL REVIEW. Este artigo foi originalmente publicado na edição de 6 de outubro de 2014 da NATIONAL REVIEW.

Publicado na terça-feira, 23 de setembro, às 11:44 – Por Debra J. Saunders

Joe Nocera, do The New York Times, publicou uma ótima coluna hoje sobre a mega-ação judicial movida pelo advogado Steve Donziger contra a Chevron para a limpeza de um suposto vazamento de petróleo no Equador. (Você pode ver o vídeo de Donziger discutindo o caso mencionado acima). Nocera refere-se a um novo livro, “Lei da Selva”, a respeito da ação judicial, que foi escrito pelo jornalista Paul Barret, da Bloomberg Businessweek. Nocera escreve:

Uma razão pela qual a descrição de Barrett é crível se deve ao fato de que ele começou a cobrir a história com uma reportagem publicada na capa da Bloomberg Businessweek em 2011, a qual era decididamente pró-Donziger. Mas, quando conseguiu o contrato para escrever o livro e começou a investigar mais a fundo sobre o caso, ele começou a ter suas dúvidas sobre Donziger e a equipe dos demandantes. Como os demandantes poderiam ter certeza de que a Chevron era a culpada se a empresa de petróleo do governo equatoriano tinha continuado a extrair petróleo da floresta tropical anos após a saída da Texaco? Onde estava a epidemiologia que relacionava os resíduos de petróleo a doenças? E sobre o relatório do perito que foi escrito em segredo? E as comunicações ex parte com os juízes? E até mesmo uma suposta tentativa de subornar o juiz para que decidisse em favor dos demandantes?

A meu ver, esta ação judicial foi corrompida desde o início. Donziger começou o processo para obter uma indenização da Chevron, que havia adquirido a Texaco em 2001. A Texaco já havia chegado a um acordo de US$40 milhões para a limpeza dos prejuízos, mas Donziger queria sua própria mordida na maçã, não importando o que fosse preciso. Mais de Nocera:

De acordo com Barrett, Donziger pode ter começado sua jornada com a melhor das intenções, mas perdeu o rumo em algum ponto ao longo do caminho. Para obter a sentença que ele queria dos tribunais equatorianos, Donziger supostamente cometeu vários atos de fraude, incluindo fazer com que membros da sua equipe escrevessem em segredo um relatório crucial para o tribunal que supostamente deveria ser de autoria de um perito independente. Donziger respondeu acusando Barrett de trabalhar em conluio com a Chevron, a fim de ser parte da “campanha de retaliação”.

Eu escrevi uma coluna sobre o caso depois que o juiz federal de Nova York Lewis Kaplan determinou que a sentença de US$9,5 bilhões contra a Chevron foi “obtida por meio de fraude” e encoberta por “meias-verdades”.

Apesar de toda sua demonstração de luta pelos indefesos da floresta tropical, no final, tudo foi sobre Donziger. Ele foi gravado em vídeo dizendo: “Eu uma vez trabalhei para um advogado que disse algo que eu nunca mais esqueci. Ele disse: ‘Fatos não existem. Fatos são criados’”.

Durante anos, Donziger estava feliz em julgar este caso na imprensa. Havia um risco com essa estratégia: agora o veredito da mídia não está sendo favorável a ele.